segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sou pessoa de dentro pra fora.
Se há beleza em mim está na minha essência
e no meu caráter. Acredito em sonhos,
não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto.
Estou aqui é pra viver, cair, aprender,
levantar e seguir em frente. Sou isso hoje…
Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre
que a vida pede um pouco mais de mim.
E assim vou caminhando, tropeçando e levantando.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com alma de menina e vice-versa.
Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário,
enlouqueço e deixo rolar. Não me dôo pela metade,
não sou tua meio amiga nem teu quase amor.
Então, nada aceito pela metade...
Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos.
Quando amo...amo muito....quando odeio, risco..
Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa.
Sou pessoa de riso fácil e de choro também.
Ou você ama assim ou odeia...
Desconheço o autor...
Sorrir com os olhos, falar pelos cotovelos, meter os pés pelas mãos. Em mim, a anatomia não faz o menor sentido. Sou do tipo que lê um toque, que observa com o coração e caminha com os pés da imaginação. Multiplico meus cinco sentidos por milhares e me proponho a descobrir todos os dias novas formas de sentir. Quero o cheiro da felicidade, o gosto da saudade, o olhar do novo, a voz da razão e o... toque da ternura. Luto contra o óbvio, porque sei que dentro de mim há um infinito de possibilidades e embora sentimentos ruins também transitem por aqui, sei que devo conduzi-los com a força do pensamento até a porta de saída. Decidi não delegar função para cada coisa que eu quero. Nem definir o lugar adequado para tudo de bom que eu sinto. Nossos sentimentos são seres vivos e decidem sem nos consultar. A prova de que na vida, rótulos são dispensáveis e sentimentos inclassificáveis. '
Facebookeando por ai...tb não sei quem é o autor...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O INACABADO QUE HÁ EM MIM.

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.

Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e
o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a
mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas.
Também recebo afluentes e com eles me transformo,

O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me
deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me
fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O
que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a
vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações
inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de
muitos mundos.


Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do
que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As
chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em
que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.

Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.

Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.

Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio
que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste
contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro
sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o
frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. 

Eu sou assim. Sem culpas.

Padre Fabio de Melo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Não sou boα com números. Com frαses feitαs. E com morαis de históriα. 
Gosto do que me tirα o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quαse impossível. 
Meu corαção é livre, mesmo αmαndo tαnto. Tenho um ritmo que me complicα. 
Umα vontαde que não pαssα. Umα pαlαvrα que nuncα dorme... 
Mudo de humor conforme α luα. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. 
Tenho o desαssossego dentro dα bolsa. E um pαr de αsαs que nuncα deixo. 
Às vezes, quαndo é tαrde dα noite, eu viαjo. E - sem sαber - busco respostαs que não encontro αqui... Mαs não tem nada, não. Bonito mesmo é essα coisα dα vidα: um diα, quαndo menos se esperα, α gente se superα. E chegα mαis perto de ser quem - nα verdαde - α gente é. " 
[ Fernαndα Mello ]

domingo, 24 de abril de 2011

Hoje vivo um tipo estranho de saudade.
Saudades de outrora, de quem um dia fui e deixei de ser
De quando me olhava no espelho e via algo além de uma imagem distorcida de anseios que se perderam.
Saudades de uma fé viva que carregava em meu coração e do brilho que surgiam dos meus olhos diante de tamanha simplicidade.
O que restou de mim afinal?
Não há tristeza mais torturante do que a de não se reconhecer, olhar para tras e procurar em que momento eu me perdi de mim mesma, em que instante comecei a matar de dentro de mim os sonhos que carregava e o desejo que tinha de torna-los reais.
Leve o que quiser de mim, leve essa emoção falsa...esse sorriso forçado... essa imagem borrada pelas marcas do tempo e essa minha ingratidão pela vida que Deus me deu.
Não exija de mim o que não posso te dar...
Pois nada mais tenho a oferecer...

Ellen Pivaro

domingo, 20 de março de 2011

Cântico Negro

Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

(José Régio)