segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sorrir com os olhos, falar pelos cotovelos, meter os pés pelas mãos. Em mim, a anatomia não faz o menor sentido. Sou do tipo que lê um toque, que observa com o coração e caminha com os pés da imaginação. Multiplico meus cinco sentidos por milhares e me proponho a descobrir todos os dias novas formas de sentir. Quero o cheiro da felicidade, o gosto da saudade, o olhar do novo, a voz da razão e o... toque da ternura. Luto contra o óbvio, porque sei que dentro de mim há um infinito de possibilidades e embora sentimentos ruins também transitem por aqui, sei que devo conduzi-los com a força do pensamento até a porta de saída. Decidi não delegar função para cada coisa que eu quero. Nem definir o lugar adequado para tudo de bom que eu sinto. Nossos sentimentos são seres vivos e decidem sem nos consultar. A prova de que na vida, rótulos são dispensáveis e sentimentos inclassificáveis. '
Facebookeando por ai...tb não sei quem é o autor...
sexta-feira, 24 de junho de 2011
O INACABADO QUE HÁ EM MIM.
Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.
Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e
o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a
mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas.
Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me
deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me
fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O
que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a
vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações
inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de
muitos mundos.
Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do
que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As
chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em
que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.
Eu sou inacabado. Preciso continuar.
Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio
que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste
contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro
sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o
frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só.
Eu sou assim. Sem culpas.
Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e
o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a
mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas.
Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me
deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me
fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O
que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a
vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações
inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de
muitos mundos.
Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do
que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As
chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em
que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.
Eu sou inacabado. Preciso continuar.
Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio
que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste
contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro
sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o
frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só.
Eu sou assim. Sem culpas.
Padre Fabio de Melo
segunda-feira, 16 de maio de 2011
"Não sou boα com números. Com frαses feitαs. E com morαis de históriα.
Gosto do que me tirα o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quαse impossível.
Meu corαção é livre, mesmo αmαndo tαnto. Tenho um ritmo que me complicα.
Umα vontαde que não pαssα. Umα pαlαvrα que nuncα dorme...
Mudo de humor conforme α luα. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa.
Tenho o desαssossego dentro dα bolsa. E um pαr de αsαs que nuncα deixo.
Às vezes, quαndo é tαrde dα noite, eu viαjo. E - sem sαber - busco respostαs que não encontro αqui... Mαs não tem nada, não. Bonito mesmo é essα coisα dα vidα: um diα, quαndo menos se esperα, α gente se superα. E chegα mαis perto de ser quem - nα verdαde - α gente é. "
Gosto do que me tirα o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quαse impossível.
Meu corαção é livre, mesmo αmαndo tαnto. Tenho um ritmo que me complicα.
Umα vontαde que não pαssα. Umα pαlαvrα que nuncα dorme...
Mudo de humor conforme α luα. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa.
Tenho o desαssossego dentro dα bolsa. E um pαr de αsαs que nuncα deixo.
Às vezes, quαndo é tαrde dα noite, eu viαjo. E - sem sαber - busco respostαs que não encontro αqui... Mαs não tem nada, não. Bonito mesmo é essα coisα dα vidα: um diα, quαndo menos se esperα, α gente se superα. E chegα mαis perto de ser quem - nα verdαde - α gente é. "
[ Fernαndα Mello ]
domingo, 24 de abril de 2011
Hoje vivo um tipo estranho de saudade.
Saudades de outrora, de quem um dia fui e deixei de ser
De quando me olhava no espelho e via algo além de uma imagem distorcida de anseios que se perderam.
Saudades de uma fé viva que carregava em meu coração e do brilho que surgiam dos meus olhos diante de tamanha simplicidade.
O que restou de mim afinal?
Não há tristeza mais torturante do que a de não se reconhecer, olhar para tras e procurar em que momento eu me perdi de mim mesma, em que instante comecei a matar de dentro de mim os sonhos que carregava e o desejo que tinha de torna-los reais.
Leve o que quiser de mim, leve essa emoção falsa...esse sorriso forçado... essa imagem borrada pelas marcas do tempo e essa minha ingratidão pela vida que Deus me deu.
Não exija de mim o que não posso te dar...
Pois nada mais tenho a oferecer...
Ellen Pivaro
domingo, 20 de março de 2011
Cântico Negro
Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
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